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domingo, 28 de julho de 2013

Excerto Do Poema: Fé no futuro


Nos teus braços, mãe, enlaçados na minha cintura,
encontrei a coragem que precisei e o amparo
para a minha caminhada neste palco da vida.
A meu lado, hoje, os meus seres mais queridos
continuam a ser os esteios da minha jornada.
Tenho fé no futuro!

Excerto Do Poema: Fé no futuro

Edite Pinheiro
Julho, 27 / 2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O guião que não escrevi



Histórias e mais histórias…
Toda a nossa vida gira à volta de histórias:
histórias que ouvimos; que lemos; que vivemos; que vemos e sonhamos.
Somos movidos pelas histórias que nos inspiram, emocionam e impressionam.
Histórias que sentimos (e nos fazem sonhar). Histórias que fazem as pessoas mais felizes
e nos dão o sentido dos sentidos em que acreditamos - o sentido que a vida tem.
As histórias são, na sua imaterialidade, a forma concreta de percebermos e sentirmos a matéria de que são feitos os sonhos (a forma de que é feito esse sonho principal que é a nossa vida, a nossa existência - o nosso corpo e o nosso tempo).

Perdi o meu dom e a torneira do imaginário secou - dela não sai pingo algum. O órgão da minha imaginação esgotou - dele não vem mais nada, nada mais sai - o meu castelo ruiu.
Será que o meu dom voltará e as palavras voltarão a correr como um rio?
Será que só quem tem alma concebe a ideia de vazio que busca a alma gémea?
Dantes eu era dotado no sentido das palavras. Nesse sentir criava um expressivo amor - amor que derruba impérios, constrói nações, une corações.
Já não sei o que é o amor - não o sinto -, nem sei escrever sobre ele.
Oh Deus (se é que existes) devolve-me o meu dom.
Promessas, palavras, juras para quê?
Se porventura não escrevi uma palavra não deixo de inventar histórias na minha cabeça - prosa que sairá logo que a minha musa me inspire (sonho-te nos meus sonhos, musa).

Emerges da noite como uma deusa, musa dos meus sonhos - consigo ver-te nos contornos da tua sombra. Sinto-te em cada passo, em cada eco, que chega até mim.
Segues na direção do homem, ali de rabo sentado a pasmar, que contempla o mediterrânio de águas negras - águas do tom da noite -, e que se esforça para que na sua mente elas voltem a ser águas azuis, como um dia as sonhou na juventude. Árdua tarefa que dói - e como dói -, dor profunda cravada no corpo e na alma (fragmentos, do nada que herdou, do vazio que ficou).
E os pensamentos sangram, mas ele esforça-se por recordar o azul que um dia sonhou na juventude.
Sentes o universo inteiro a contemplar-se por si só?  
Emerges da noite como uma deusa, musa dos meus sonhos - consigo ver-te nos contornos da tua sombra. Sinto-te em cada passo, em cada eco, que chega até mim.
Vens serena e calma como uma deusa, musa dos meus sonhos - a figura que emerge da escuridão agarra a rosto do homem e beija-o - beija-o com veemência.
Roubas um beijo, depois outro e mais outro - as bocas unem-se com ardor e paixão.
E (com aquele gesto), ele sente-se vivo, inspirado para escrever novamente. Algo surge: profundo, muito profundo; sentidamente profundo (e iluminam-se os passos e os silêncios) iluminando as ideias e os gestos - os tempos.

O sonho ganha asas durante alguns momentos, quando decide dar-lhe vida (e ele sentado no escuro fica abstrato a imaginar-se uma estrela a brilhar). O sonho volta a ganhar vida - por momentos
sente-se inteiro como homem do mundo.

Tudo o que fizeres faz bem feito - não o faças só por ser bonito aos olhos do mundo.
Valoriza todo o interior de uma questão - não dês tanto valor à capa.

Gostava de estar aqui, de estar ali, de estar em todo o lado ao mesmo tempo e em lugar nenhum. Agora deparo-me com este problema, especialmente quando o meu corpo está quase a chegar aos cinquenta e a minha mente insiste em estar perto dos dez.
Já não me aguento de pé, nem consigo dormir e não quero acordar amanhã de manhã no fundo de um poço - estou fechado aqui neste lugar sombrio de calor infernal. Mas sou só eu
e tão só como sempre o fui. Sei que tudo tem o seu tempo, tudo tem o seu momento e que nada é por acaso, que no dia e na hora certa tudo pode acontecer, tudo pode mudar.
Mas já não sou novo e ainda não sou velho. Mas quero ser sensato - ser arrojado nas minhas decisões -, e ajoelho-me: inclino a cabeça, levanto as mãos e rezo para ser apenas eu - rezo e deixo que a música dentro da minha alma transborde e toque as estrelas e galáxias e que estas dancem e cantem para mim.
Quero sair deste frio infinito e dar-me o meu destino - sermo-nos por inteiro (ser um só eu em mim para viajar comigo, e formar um dueto para cantar comigo próprio e de subir e de descer livremente por todo o lado, por todos os lugares). Ser o eu que está sempre a meu lado, que nunca me desilude - que nunca me abandona. Ser simplesmente eu, eu e só eu com o meu nome - o nome meu.   
Quero acordar com a melodia com que me deitei e a mesma esperança que carrego.
O eu e o eu que quero ser, e terminar no fim para começar de novo. (E, recomeçar outra vez e outra vez e todas as vezes que forem necessárias para ser jovem e para ser velho - o conto que descrevo é a luta que travo comigo mesmo). Mas quero ser sensato, ser arrojado nas minhas decisões e, ajoelho-me: inclino a cabeça, levanto as mãos e rezo para ser apenas eu - para que todo o universo observe o meu desígnio -, para que o universo olhe para mim (e, é tudo o que quero).

Agora peço-te humildemente que te levantes. Levante-te e anda, não estás morto.
Levanta-te imediatamente porque a vida é dor. É dor e vai moldar-te sempre.
Levanta-te e vive o momento e vive todos os momentos - para os recordares um dia. 

Gostava de estar aqui, de estar ali, de estar em todo o lado ao mesmo tempo e em lugar nenhum. Ocorreu-me pensar em ti. Ocorreu-me pensar no amor.
Sabes o que é o amor? Queres sabê-lo?
Se queres fazer uma mulher feliz, fá-lo com aquilo com que nasceste. Serve-te da seiva que te corre nas veias - é lá que encontras a tua essência do amor.
Arrisca tudo e tenta roubar um beijo ardente quando me abraçares - não me abraces apenas, abraça-me. Sê gentil, sentimental, avança e sê carinhoso - sê ousado e belisca-me com toda a ternura. Sê um cantor, sê um amante - colhe agora a flor antes que percas a oportunidade.
Consegues imaginar o amor puro de um homem e uma mulher quando se amam apaixonadamente?
- É algo leve e agitado - um turbilhão de sentimentos e emoções -, é quietude inquieta.  

Ainda não escrevi nada - só imaginei como seria esta aventura. Ainda não escrevi um guião. Penso e imagino muito. Não durmo. Estou a morrer, ou até agora, até tu chegares, estava a morrer. Mas tu vieste e eu já sorrio, fazes-me bem, fazes-me tanta falta - contigo as horas passam mais depressa. Contigo sou feliz!
Fica, não te vás embora. Dança comigo. Dança como se estivesse a viver uma espécie de sonho no qual as acções nem sempre são o que parecem. Dança comigo como se fosse a última vez. Ama-me!
Enlouqueço quando crio fantasias que vivo e partilho com quem me lê. Ofereço-as aos meus leitores. Pinto as palavras - pinto-as para ti meu amor.
Fico a imaginar o que terias vestido se te visse agora. Imagino como seria o teu corpo nu, sem nada, sem roupa alguma. Beijava os teus seios, os dedos dos pés - e tu, sopravas-me ao ouvido, rogavas para que te abraçasse bem forte, para me sentires junto de ti e beijavas-me a testa febril e os lábios carnudos. Beliscava-te as bochechas rosadas e sentiria o teu corpo a empolgar. Sentirias a pele a arrepiar - sensação delirante -, e eu continuo somente a imaginar.

Busco a felicidade - algo que ainda não encontrei. Nesta busca constante, procuro mas não encontro resposta alguma. Vivo com esta sensação de vazio e de desespero.
Será só fruto da minha imaginação ou a constactação de uma prenhe realidade que me envolve. Já vivi muito, vivi muita coisa e agora acho que percebi o que é preciso para ser feliz. Uma vida calma e isolada no campo, o descanso, a natureza, os livros, a música, a pintura, o amor pelo próximo. Essa é a minha ideia de felicidade. E depois, no topo de tudo isso, tu como companheira. Que mais pode o coração de um homem desejar?
Há muito tempo quando era outra pessoa - já fui outra pessoa quando ainda me amavas, quando estávamos apaixonados um pelo outro - fui feliz. Agora a paixão desapareceu, mas resta o amor que nos une como família que somos para toda vida - o amor e a lealdade para com a família é algo eterno.

Estás demasiado ocupado a inventar a tua própria vida. Criaste o teu próprio estilo, o teu próprio ponto de vista, bem definido nos gestos e nas atitudes que marcam a tua pessoa.
Preocupas-te tanto com o fato como com o homem que o usa - és o homem que há em ti,
és a essência do estilo como homem. O teu mundo é fascinante e aprecio a forma como o retratas. Adoro-te como um homem de estilo que és.

Como criaste o teu próprio estilo?
- Criei o meu estilo quando voltei a sonhar - quando acreditei em mim.

Edite Pinheiro
Julho, 07 / 2013

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Memórias de azul



Desamparado: exposto ao vento; ao frio;
à chuva; à neve e ao sol.
O ponto flutuante resiste às ondas
em constante mudança e transformação.

A maré; a maresia; as memórias;
envolventes abraços molhados - beijos gelados.
A vida agitada das gaivotas - canções de embalar.
O pôr-do-sol; os últimos raios de luz;
o rasto - o caminho engolido pela noite.

A escuridão desaparece…
… surgem os primeiros raios de luz.

Edite Pinheiro
Janeiro, 12 / 2009

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Início do Blogue: Lugar mítico


“Ontem vi o que tinha de fazer hoje - há um sonho que lentamente se está a tornar realidade.”

Edite Pinheiro
Junho, 30 / 2013