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domingo, 29 de setembro de 2013

Pensamento - 14


“O mundo está à beira de um abismo.
Neste tempo singular - há que salvar -, há que ter consciência da realidade.”

Edite Pinheiro
Março, 01 / 2013

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Em busca da Felicidade


Quando consegues algo de muito valioso, algo que almejaste e sonhaste, que procuraste para ti, algo muito desejado há tempo demais (por saberes ser bom em coisas que nunca conseguiste atingir, coisas sem resultado algum, apesar da coragem e força de vontade, numa fuga constante, numa desilusão permanente de ti mesmo - sentes-te perturbado quando finalmente consegues, quando finalmente és reconhecido pelo teu valor e desempenho, pela tua candura e beleza de alma), um sonho, um objectivo, uma meta que estipulaste e que meteste na cabeça, pela qual irias empenhar-te e esforçar-te, pela qual irias vencer e ser o melhor, um desígnio resultante de um trabalho árduo e muita dedicação e ainda mesmo de um esforço brutal, quase impossível de aguentar devido às adversidades, ao desgaste físico e psíquico, sem uma desistência em momentos nefastos - motivos que dedilhaste até à demência -, sentes uma sensação de bem-estar (quando te dizem que fizeste um trabalho fantástico de notável epílogo e te dão os parabéns por tal êxito) - és feliz!

Quando consegues em ti, a certeza do que podes vir a ser e sentes que conseguiste o que tanto desejavas, a vontade que apertou e sufocou o teu Ser durante décadas mal dormidas e assombradas pelo medo e pela ignorância, que te cercava, dos que não acreditavam em ti - és feliz!

Quando apenas tu acreditaste nas tuas capacidades e na missão e no fardo que carregaste, apenas tu permaneceste na esperança de um dia tocares a estrela, apenas tu permaneceste na esperança de ouvir a tua voz interior, de seres sempre tu, de amares e seres amado tal e qual como és, de fazeres o teu trabalho de acordo com a tua consciência, de dares sempre o teu melhor - porque aprendeste a terminar o teu trabalho rapidamente, porque aprendeste a ver, a ouvir e sobretudo aprendeste a pensar - és feliz!

(Sentes que rompeste pelo olho da tempestade e que por instantes, tiveste uma ausência de pensamentos e de peso e, a seguir, caíste num funil de onde foste enviado para uma subida vertical, tendo ficado na borda do assento, caíste no fundo de ti mesmo e sentiste que não tinhas hipótese de te safares. De repente, num sobressalto, sobes à tona das águas salgadas, vertidas pelos teus olhos vermelhuscos e soltas um suspiro interior, um sucumbir de emoções, e saltas, desnorteado, para fora do poço a espargir comoções, como num sonho agitado. Sentes o vento a afagar os teus ouvidos e a tua face pálida e respiras - vens a ti.  
Respiras os aromas da vitória merecida e, de olhos bem abertos, acolhes a Felicidade, esse estado de riqueza interior que é sentires dentro das tuas entranhas o coração a bater mais forte do que nunca, um carrossel de emoções em rodopio contínuo, um sentir tão profundo que os olhos derramam lágrimas e choras, e ris de alegria, num estado, não intencional, de uma intensidade que não consegues descrever - apenas consegues sentir o que desencadeou esses sentimentos e emoções -, e queres saborear a vitória com o teu eu interior, e bates as palmas a ti mesmo, e saltas, e pulas no teu silêncio manifestando regozijo e orgulho - e amas-te!)

Este é, um estado enaltecido de felicidade, desencadeado pelo elogio e aplauso de outras pessoas, que viram em ti: modéstia, humildade, fé, lealdade, dedicação, genuinidade, coragem e empenho, enfim, um grande valor humano.

Edite Pinheiro
Setembro, 27 / 2013

domingo, 22 de setembro de 2013

O eremita e o caminhante


O caminhante, imbuído de temor e respeito, aproximou-se e aguardou que o sábio voltasse do seu passeio matinal. Como um cristal devolvendo ao sol o brilho que cega, tudo à sua volta ficou cristalino e calmo, quando o eremita regressou.
O anacoreta, saudou-o com um ligeiro abanar de cabeça, afagou os seus longos cabelos e sentou-se pausadamente num tronco seco, caído, que servia de anteparo à entrada da gruta.
Quebra-se o silêncio, quando sopra a brisa do vento por entre os ramos de folhas enverdecidas das árvores do vergel e surge o som das palavras da voz sábia: palavras proeminentes do conselho obrigatório que proclamam a autonomia e a liberdade.
- Caminhante, o teu silêncio é inquietante; precisas tranquilizar a criança que há e vive em ti. E prossegue: necessitas aproveitar as oportunidades que estão perdidas ou esquecidas e que surgem agora novamente no teu caminho - oportunidades que são cruciais para a tua vida, para o teu futuro. Resgata-as já! Desperta e lembra-te que o futuro é urgente e é agora.
O caminhante baixou o semblante e de olhar fixo no chão pensou: era isto que eu esperava ouvir da voz sábia, as palavras que esperava ouvir da boca do eremita. Sentia-se observado por um grande poder intuitivo e aguardou a orientação que o ajudaria a conduzir o seu futuro.
Sentia-se bem, sentia-se protegido - sentia-se o escolhido!
O caminhante balbuciou: a resposta que procuro estará aqui na palma da minha mão?
Sim, se os teus sonhos forem sonhos com a medida certa, respondeu o eremita e prosseguiu: no fundo de ti encontrarás talentos escondidos e habilidades não desenvolvidas que não usas; tu não utilizas as tuas forças para um pleno potencial, tu és uma pessoa muito talentosa e habilidosa - tens em ti um grande virtualismo, desenvolve-o. Empenha-te e aprende a valorizar-te mais, porque só assim serás reconhecido - tu és um potencial vencedor.
O caminhante, temeroso, questiona novamente: e o que devo fazer para recuperar sonhos esquecidos e oportunidades perdidas?
Ao que o eremita respondeu: leva um bolso cheio de boas energias (de pensamentos puros e escorreitos) para onde quer que vás, deixa que o vento te mostre o caminho certo - vê e aprende. E continuou: somente a subjectividade contempla, coordena e conhece as diversas facetas, emoções, sentimentos e pensamentos que compõem o indivíduo. Anda e vive, e em prudente caminhar, dá um passo de cada vez e sonha, aprende, falha, deseja, vai, chora, ri, faz, porque tudo pode acontecer - o fim é importante para todas as coisas -, segue a estrada e sê ditoso, tem orgulho em ti. Confia e acredita no teu potencial - só quem tem esperança consegue alcançar e vencer as barreiras que bloqueiam. Segue em frente como um observador atento a tudo o que te envolve, valoriza só o que é importante para a tua vida e não dês atenção a palavras vãs e mesquinhas, porque elas não merecem estar presentes no pensamento do homem de voz bondosa e coração puro. Sê grato à vida e a tudo o que te rodeia, lembra-te que tudo depende do teu esforço, força de vontade, trabalho e dedicação. Trabalha naquilo que queres e desenvolve o teu dom, não queiras ter tudo de graça, mesmo que tenhas nascido em berço de ouro, cresce por ti e aprende a conhecer-te porque só assim atingirás um grau elevado de sabedoria (maturidade). Honra o teu nome e o nome dos teus, sê leal para com a família e amigos. Sê bom, alegre e genuíno e tudo se fará por si só - tudo alcançarás.
Que orientação prodigiosa, pensou o caminhante.
E o anacoreta prosseguiu: só quem domina a arte de pensar, aprende a escolher o caminho para amar-se a si próprio e ao próximo. Não basta querer algo, é preciso ser ousado para o conseguir. É importante saber aprofundar a verdade daquilo que somos, do que queremos para nós. Nada é impossível e no momento certo saberás fazer a escolha certa e assim verás concretizados os teus sonhos.
E a voz sábia continuou: há pessoas que velejam no crepúsculo, tu velejas no dilúculo e estando aqui sentado, isso pode não te parecer muito importante, mas é, se tentares pôr-te de pé perceberás que o teu equilíbrio vem todo daqui - da tua cabeça.
O eremita, cofiou as suas barbas, levantou-se, saudou o caminhante com um aceno de cabeça e calmamente entrou na gruta, o seu ermitério.
O caminhante, ergueu-se e inclinou-se respeitosamente, olhou o horizonte e espraiando a vista pelo frondoso vale contíguo quedou-se recolhido, apreciando a paisagem e os ensinamentos que lhe tinham sido transmitidos.

Edite Pinheiro
Setembro, 21 / 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Analogia


Serão as artes da política mais sedutoras do que as artes do amor?
- Não! Elas são análogas em maleáveis significações temporais desde que o ser humano adquire a sua figura (faces e contornos) povoada por sentidos e valores cujo estigma é a historicidade.

Tomemos como exemplo: a elegantíssima perna da mulher. É a metáfora perfeita para a política portuguesa em que o défice é a origem de toda a inquietude.

Rumando a norte, vindo dos oceanos, encontramos o “Reino dos Algarves”.
Tomamos o gosto ao dedo do pé (na Ponta de Sagres - Cabo de São Vicente) e seguindo para oriente navegamos ao longo da sensual planta do pé até encontrarmos o calcanhar (Vila Real de Santo António) e um pouco acima o primoroso tornozelo (na margem direita da bacia do Guadiana).
A sensualidade e o exotismo da barriga da perna (Alentejo) sugerem-nos e sugestionam-nos memoráveis sensações. A oeste a canela transporta-nos até à elevação do joelho (Cabo da Roca - que Camões descreveu como o local “Onde a terra acaba e o mar começa”) onde os estímulos geram prazer. A partir daqui encontramos um campo de sensações e áreas mais sensíveis. Entre as ancas (a Serra da Malcata de um lado e a Serra da Lousã do outro) invadimos a privacidade da mulher (Montes Hermínios e o misticismo do Vale do Zêzere) e procuramos a comunhão com a derradeira realidade.

Feminilidade, sensualidade e fertilidade carregam segredos pertinentes à natureza, à sexualidade e aos sentimentos e tal como na política perspectivam a utilização de uma relação estratégica como fonte de prazer.
As artes da política tal como as artes do amor são resultado de um jogo estratégico.

Edite Pinheiro
Setembro, 18 / 2013